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O poder do coração

Cientistas atualmente estão medindo, através de ondas eletromagnéticas e impulsos elétricos, o que espiritualistas já afirmavam sobre o poder de cura, mudança de estado interno, harmonia e paz interior que podem ser gerados a partir da harmonização do coração e do pensamento. A técnica é chamada atualmente pela ciência de coerência cardíaca.

A não coerência entre as necessidades do coração e os pensamentos lógicos associados ao cérebro, geram uma sensação de separação das diversas partes do nosso ser. Muitas vezes esta separação se manifesta física e mentalmente através de doenças. A coerência cardíaca busca tornar o ser humano inteiro novamente através do acolhimento e harmonização das necessidades reais da essência, expressos pelo coração, e os desejos e deveres expressos pelos pensamentos racionais. Muitos dos nossos comportamentos no dia a dia seguem hábitos que foram instalados na nossa mente como programas de computadores (muitos deles ainda na infância, antes dos 7 anos, período em que apenas absorvemos as verdades do mundo sem nenhum filtro ou discernimento). Tais comportamentos são repetidos como um hábito por conveniência nossa e um desejo de ser parte e conforme à família, a grupos de amigos, grupos religiosos, sociedade, etc. O desejo de ser parte de uma tribo é ancestral e real em todos nós. Sem muita consciência e “sem tempo” para refletir, seguimos o que é considerado normal e aceito por tais grupos. Acreditamos não ter tempo para refletir sobre nossos comportamentos e sentimentos, pois é senso comum que nascemos para estudar, trabalhar, comprar, criar/educar os filhos, pagar as contas e sermos “bem-sucedidos”. Este na verdade é mais um programa que roda no nosso subconsciente e o executamos sem muito questionamento.

As crises acontecem quando nosso ser essencial grita e pede alguma atenção ao que realmente é importante e tenta nos acordar. Pede que tenhamos consciência, pede para ser ouvido e contribuir em meio às escolhas que fazemos na vida. Todos nós temos uma ligação com esta sabedoria infinita que se manifesta em nós, em nosso corpo através principalmente do nosso coração. O caminho é retomar a ligação. Ligação com Deus em nós, com nosso Eu Superior. Somente estando presentes e conscientes podemos limpar programas antigos que não servem mais e colocar novos no lugar. Ampliar a consciência e a autorresponsabilidade pelas escolhas, crenças e decisões. Afinal agora somos adultos e não precisamos repetir o que os outros dizem ou querem que façamos.

Rudolph Steiner definiu lindamente em um poema a necessidade desta harmonia.


Eu sinto em minha cabeça a verdadeira força do amor
Eu sinto em meu coração o poder luminoso do pensamento
A força calorosa do amor e o poder luminoso do pensamento
se unem e assim tornam fortes as minhas mãos, para um atuar humano e bom

É preciso que a gente entenda que nossas questões não podem ser terceirizadas para médicos, terapeutas, santos, videntes, padres ou xamãs. Estes facilitam o acesso à fonte que habita dentro de nós mesmos, mesmo assim, de acordo com nossa crença e permissão. Até quando terceirizamos para Deus, é preciso entender que Deus age ou se manifesta através de nós. Então são nossas próprias ações, pensamentos e sentimentos que irão trazer a solução. Desta forma, o caminho para a cura, a paz e bem estar encontram-se dentro de nós mesmos.

Mas como fazer? Segue abaixo um guia:

O melhor momento de sintonizar é no estágio de pré-sono. Neste momento as ondas cerebrais baixam e proporcionam que o corpo produza alteração da mente insconsciente.

  1. Deite-se numa posição confortável e solte de verdade o peso do corpo, com a consciência de se sentir amparado;
  2. Respire profundamente, soltando o ar com a consciência da respiração 3 vezes;
  3. Coloque a mão esquerda sobre o coração;
  4. Coloque a mão direita sobre o ossinho da bacia, pegando parte do baixo ventre. (isso cria um circuito de energia no próprio corpo);
  5. Respire calmamente e tenha a intenção de informar ao seu corpo o que deseja:
    • (exemplo: “está tudo bem, estou segura e tranquila”, ouça esta voz na mente);
    • (outro exemplo: “eu estou segura e divinamente protegida. O amor me ampara e é a minha força protetora sempre” ouça esta voz na sua mente);
    • Visualize imagens que representem a sua intenção.
  6. Imagine todo o centro de energia emanando a partir do seu coração;
  7. Perceba a sintonia junto à respiração;
  8. Sinta a energia entre a sua mão e o coração;
  9. Sinta gratidão ao seu coração por lhe manter vivo;
  10. Permita que este amor se espalhe para todo o seu corpo, a partir do coração;
  11. Continue alguns minutos sentindo a harmonia presente entre corpo, mente e espírito;
  12. Agradeça como preferir.

Tente abrir mão do controle do processo. Se você sente irritação, impaciência ou até frustração por não estar “conseguindo” significa que está operando a partir do ego e do controle. Este não é o caminho.

É preciso ter paciência e compaixão consigo mesmo. Acreditar (ter fé) que no momento certo vai acontecer. Permitir que o processo aconteça. Operar a partir de um lugar que não cabe julgamento de certo/errado, capacidade ou incapacidade. Tente de novo e de novo… Quando sua mente aprender a abrir mão do controle, vai acontecer!!!

Coerência cardíaca é um momento do dia que você abre espaço para esta sincronia. Posteriormente você começará a levar esta coerência para as atividades do dia a dia e fará cada vez mais escolhas conscientes.

Mahatma Gandhi resume o que é felicidade dizendo


Felicidade é quando o que você pensa, sente e faz estão em harmonia

A fábula dos dois lobos

A fábula dos dois lobos (dos índios Cherokee)

Certo dia, um jovem índio cherokee chegou perto de seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu buscar os sábios conselhos daquele ancião.

O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse:

“Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”

O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:

“Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta.”

“Mas o outro lobo… Este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.”

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: “E qual deles vence?”

Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento.”

Fonte – conto popular, criado originalmente pelos índios Cherokee .

 

Você pode utilizar este conto para lidar com o lobo crítico e julgador, o lobo pessimista, o lobo vítima e outros lobos que vivem dentro de nós e tentam nos aprisionar.

O verdadeiro valor do anel

Venho até cá, mestre, porque me sinto tão tacanho que não tenho vontade de fazer nada. Dizem-me que não presto, que não faço nada bem, que sou lento e estúpido. Como posso melhorar?
O que posso fazer para as pessoas me valorizarem mais? O mestre sem olhar para ele disse:
– Lamento meu rapaz, não posso ajudar-te. Primeiro, tens de me resolver o meu próprio problema. Talvez depois, mais tranquilo, eu te possa ajudar.
– Com todo o prazer mestre – gaguejou o rapaz, ainda mais descrente, pensando – “nem o mestre torna as minhas necessidades prioritárias…”
– Bom, continuou o mestre tirando o anel que trazia no dedo mindinho da mão esquerda. Dando-o a rapaz acrescentou: Pega o cavalo que está lá fora e vai ao mercado. Tenho de vender este anel porque tenho de pagar uma dívida. Tens de o vender pelo maior valor possível e não aceites menos de 1 moeda de ouro.
O jovem pegou no anel e partiu. Logo que chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos comerciantes, que o fitavam com interesse, até quando o jovem falava quanto queria por ele. Assim que ele falava na moeda de ouro alguns riam-se, outros viravam-lhe a cara e só um velhinho amável lhe explicou que 1 moeda de ouro era muito valor para trocar por um mero anel. No máximo oferecia-lhe, por bondade, 2 moedas de prata.
Depois de oferecer o anel a todas as pessoas que se cruzavam com ele no mercado o jovem regressou abatido pelo cansaço, montando o seu cavalo, completamente destroçado. Tudo o que ele mais desejava era uma moeda de ouro para que pudesse ajudar o seu mestre e receber finalmente o seu conselho e ajuda.
Entrou no quarto do sábio e disse:
– Mestre, lamento muito. Não é possível fazer o que me pedes. Talvez conseguisse 2 ou 3 moedas de prata, mas não creio que conseguisse enganar as pessoas quanto ao verdadeiro valor do anel.
O que dizes é muito importante jovem amigo – respondeu o mestre sorridente – Primeiro temos de conhecer o verdadeiro valor do anel. Torna a montar o teu cavalo e vai ao ourives. Diz-lhe que pretendes vender a jóia e pergunta-lhe quanto ele está disposto a oferecer. Mas não a vendas. Qualquer que seja o valor que ele ofereça, volte com o meu anel.
O jovem tornou a cavalgar.
O ourives inspeccionou a jóia à lupa, observou, pesou e respondeu ao rapaz:
Diz ao teu mestre, que, se a quiser vender agora mesmo, não posso oferecer mais que 58 moedas de ouro. Talvez se a quiser vender com mais tempo lhe ofereça 70 moedas mas se a venda é urgente…
– 58 MOEDAS DE OURO? – o jovem cavalgou emocionado a alta velocidade para casa do sábio para lhe contar a novidade.
– Senta-te, disse-lhe o sábio depois do ouvir – 
Tu és como esse anel: uma jóia valiosa e única. E como tal só podes ser avaliado por um verdadeiro perito. Porque é que vives à espera que qualquer pessoa descubra o teu verdadeiro valor?
E dito isto voltou a pôr o anel no dedo mindinho da sua mão esquerda.
(Conto Sufi)
Livro Era Uma vez…
Os contos como terapia
Instituto Girasol do Brasil