Nunca estamos a salvo da crítica dos demais

Um homem estava viajando com o filho e um asno. O pai ia montado no asno e o filho o conduzia.

– Pobre jovem – disse alguém que passava ao lado, – suas perninhas mal podem acompanhar o ritmo do animal. Como se pode viajar tão à vontade vendo que o pequeno se esgota caminhando?

Isso tocou o coração do pai, que desmontou imediatamente e colocou o filho sobre o asno.

Não passou muito tempo até que outro exclamasse:

– Que vergonha! O malandrinho viaja como um sultão montado no asno, enquanto seu pobre pai ancião tem de ir à pé!

Isso magoou o menino e ele pediu ao pai que montasse na garupa.

-Oh, onde já se viu absurdo igual! – resmungou uma mulher ao ver a cena. – Mas que crueldade! Desse jeito, quebram a coluna do pobre asno e os dois vadios, o velho e o menino descansam sobre ele como se fosse um divã. Pobre animalzinho!

Arrependidos, desmontaram do asno sem dizer uma palavra. Mas haviam dado alguns passos atrás do animal, quando um desconhecido se riu deles e perguntou

-Vocês estão levando o asno para passear?

O pai, enquanto dava um punhado de palha ao burro, dirigindo-se ao seu filho, comentou:

-Não importa o que façamos, nunca estaremos a salvo das críticas dos demais.


 

Conto Sufi do livro:

Era uma Vez … os contos como terapia

Editora: Instituto Girasol do Brasil

A fábula dos dois lobos

A fábula dos dois lobos (dos índios Cherokee)

Certo dia, um jovem índio cherokee chegou perto de seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu buscar os sábios conselhos daquele ancião.

O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse:

“Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”

O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:

“Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta.”

“Mas o outro lobo… Este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.”

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: “E qual deles vence?”

Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento.”

Fonte – conto popular, criado originalmente pelos índios Cherokee .

 

Você pode utilizar este conto para lidar com o lobo crítico e julgador, o lobo pessimista, o lobo vítima e outros lobos que vivem dentro de nós e tentam nos aprisionar.